Papa Francisco aos brasileiros: fortalecer o valor da vida

“Somos chamados a ser uma Igreja samaritana” (Papa Francisco)

O Papa Francisco dirigiu sua tradicional mensagem aos fiéis brasileiros por ocasião do início da Campanha da Fraternidade, na Quarta-feira de Cinzas. “Somos chamados a ser uma Igreja samaritana”, afirma.

Vatican News

“Que a Quaresma e a Campanha da Fraternidade, inseparavelmente vividas, sejam para todo o Brasil um tempo em que se fortaleça o valor da vida, como dom e compromisso”: esses são os votos do Papa Francisco aos brasileiros por ocasião da abertura da Campanha da Fraternidade.

Este ano, o tema é “Fraternidade e vida, dom e compromisso”, com o lema “Viu e sentiu compaixão e cuidou dele”.Ouça a mensagem

“Alegro-me que, há mais de cinco décadas, a Igreja do Brasil realize, no período quaresmal, a Campanha da Fraternidade, anunciando a importância de não separar a conversão do serviço aos irmãos e irmãs, sobretudo os mais necessitados”, escreve o Pontífice.

Citando trechos dos Evangelhos de Mateus e Lucas e documentos pontifícios como Laudato Si’ e Evangelii gaudium, Francisco recorda que a superação da globalização da indiferença só será possível se nos dispusermos a imitar o Bom Samaritano.

Esta Parábola nos indica três atitudes fundamentais: ver, sentir compaixão e cuidar. A Quaresma, escreve o Papa, “é um tempo em que a compaixão se concretiza na solidariedade”.

Francisco conclui pedindo a intercessão de Santa Dulce dos Pobres para que a “Quaresma e a Campanha da Fraternidade, inseparavelmente vividas, sejam para todo o Brasil um tempo em que se fortaleça o valor da vida, como dom e compromisso”.

Confira a mensagem na íntegra:

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Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Iniciamos a Quaresma, tempo forte de oração e conversão em que nos preparamos para celebrar o grande mistério da Ressurreição do Senhor.

Durante quarenta dias, somos convidados a refletir sobre o significado mais profundo da vida, certo de que somente em Cristo e com Cristo encontramos resposta para o mistério do sofrimento e da morte. Não fomos criados para a morte, mas para a vida e a vida em plenitude, a vida eterna (cf. Jo 10,10).

Alegro-me que, há mais de cinco décadas, a Igreja do Brasil realize, no período quaresmal, a Campanha da Fraternidade, anunciando a importância de não separar a conversão do serviço aos irmãos e irmãs, sobretudo os mais necessitados. Neste ano, o tema da Campanha trata justamente do valor da vida e da nossa responsabilidade de cuidá-la em todas as suas instâncias, pois a vida é dom e compromisso; é presente amoroso de Deus, que devemos continuamente cuidar. De modo particular, diante de tantos sofrimentos que vemos crescer em toda parte, que “provocam os gemidos da irmã terra, que se unem os gemidos dos abandonados do mundo, com um lamento que reclama de nós outro rumo” (Carta Enc. Laudato Si’, 53), somos chamados a ser uma Igreja samaritana (cf. Documento de Aparecida, 26).

Por isso, estejamos certos de que a superação da globalização da indiferença (cf. Exort. Ap. Evangelii gaudium, 54) só será possível se nos dispusermos a imitar o Bom Samaritano (cf. Lc 10, 25-37). Esta Parábola, que tanto nos inspira a viver melhor o tempo quaresmal, nos indica três atitudes fundamentais: ver, sentir compaixão e cuidar. À semelhança de Deus, que ouve o pedido de socorro dos que sofrem (cf. Sl 34,7), devemos abrir nossos corações e nossas mentes para deixar ressoar em nós o clamor dos irmãos e irmãs necessitados de serem nutridos, vestidos, alojados, visitados (cf. Mt 25, 34-40).

Queridos amigos, a Quaresma é um tempo propício para que, atentos à Palavra de Deus que nos chama à conversão, fortaleçamos em nós a compaixão, nos deixemos interpelar pela dor de quem sofre e não encontra quem o ajude. É um tempo em que a compaixão se concretiza na solidariedade, no cuidado. “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,7)!

Por intercessão de Santa Dulce dos Pobres, que tive a alegria de canonizar no passado mês de outubro e que foi apresentada pelos Bispos do Brasil como modelo para todos os que veem a dor do próximo, sentem compaixão e cuidam, rogo ao Deus de Misericórdia que a Quaresma e a Campanha da Fraternidade, inseparavelmente vividas, sejam para todo o Brasil um tempo em que se fortaleça o valor da vida, como dom e compromisso.

Envio a todos e cada um a Bênção Apostólica, pedindo que nunca deixem de rezar por mim.

Vaticano, 26 de fevereiro de 2020 

Fonte: Vatican News

Santa Águeda, protetora contra as doenças mamárias

Santa Águeda é uma das mais gloriosas heroínas da Igreja primitiva. Sua intercessão chega a ser invocada no cânone da Santa Missa. Também conhecida como Ágata, ela viveu entre os anos de 235 e 251.

Natural da Sicília, a jovem que pertencia a uma das famílias mais nobres da sua terra consagrou-se a Deus fazendo voto da castidade. A devoção popular foi atribuindo à sua vida, desde a antiguidade e ao longo dos séculos, uma série de versões romantizadas, que ganharam ainda mais extensão a partir da publicação da Legenda Áurea, em 1288 – mais de mil anos após o seu martírio. Entre lendas e lendas, não há informações fiáveis a respeito da sua morte – exceto o fato de que Santa Águeda realmente existiu e realmente foi martirizada com brutalidade.

Os relatos populares

Os relatos que foram passando de geração em geração dão conta de que o governador Quinciano, sabendo da formosura e grande riqueza de Águeda, resolveu acusá-la do “crime” de pertencer à religião cristã e mandou prendê-la. Vendo-se nas mãos dos perseguidores, ela exclamou:

“Jesus Cristo, Senhor de todas as coisas, vós vedes o meu coração e conheceis os seus desejos. Tomai posse de mim e de tudo que me pertence. Sois o Pastor, meu Deus; sou vossa ovelha. Fazei que seja digna de vencer o demônio”.

O governador ficou tomado de violenta paixão pela nobre cristã e se atreveu a importuná-la com propostas indecorosas. Águeda, indignada, rejeitou-lhe as impertinências e declarou preferir morrer a macular o nome de cristã.

Quintiano aparentemente desistiu de seus planos diabólicos, mas mandou entregar a donzela aos “cuidados” de uma mulher devassa chamada Afrodísia. Depois de um trabalho inútil de trinta dias tentando “mudar os conceitos” de Águeda, Afrodísia pediu a Quinciano que a levasse embora de sua casa.

O longo martírio

Começou então o martírio da nobre siciliana. Disse-lhe o governador em pleno tribunal:

“Não te envergonhas de rebaixar-te à escravidão do cristianismo quando pertences a uma família nobre?”

Águedalhe respondeu:

“Servir a Cristo é liberdade e está acima de todas as riquezas dos reis”.

Em réplica, Águeda recebeu bofetadas tão barbaramente aplicadas que lhe causaram hemorragia no nariz.

Depois desta e de outras brutalidades, a santa mártir foi encerrada no cárcere sob ainda mais graves ameaças de tortura se não abandonasse a religião de Jesus Cristo.

O dia seguinte trouxe a realização dessas iniquidades. O tirano ordenou que a donzela fosse esticada, seus membros desconjuntados, seu corpo queimado com chapas de cobre em brasa e seus seios mutilados com torqueses de ferro. Ao ouvir em particular a sentença a esta última brutalidade, Águeda respondeu ao juiz:

“Não te envergonhas de mutilar numa mulher o que tua mãe te deu para te aleitar?”

É este episódio a raiz da devoção a Santa Águeda como especial intercessora nos casos de doenças mamárias.

A visão de São Pedro

Após essas torturas crudelíssimas, Águeda foi levada novamente ao cárcere, entregue às dores indescritíveis. Deus, porém, que confunde os planos dos homens, veio em auxílio da sua pobre serva. Durante a noite, apareceu-lhe um venerável ancião que se dizia mandado por Jesus Cristo para lhe trazer alívio. O ancião, depois identificado como o Apóstolo São Pedro, elogiou a sua firmeza e a encorajou a permanecer impávida no caminho da vitória.

A visão desapareceu e, com muita admiração, Águeda se viu completamente restabelecida.

Cheia de gratidão, ela entoou cânticos de louvor à misericórdia e à bondade de Deus. Os guardas, ouvindo-a cantar, abriram a porta do cárcere e, vendo a mártir completamente curada, fugiram, cheios de pavor.

As companheiras de prisão de Águeda lhe aconselharam fugir. Mas ela disse:

“Deus me livre de abandonar a arena antes de ter segura em minha mão a palma da vitória!”

Passados quatro dias, foi novamente apresentada ao juiz, que não pôde senão admirar-se ao vê-la completamente restabelecida.

Águeda lhe disse:

“Vê e reconhece a onipotência de Deus, a Quem adoro. Foi Ele quem curou minhas feridas e me restituiu os seios. Como podes exigir de mim que O abandone? Não poderá haver tortura, por mais cruel que seja, que me separe do meu Deus!”

O juiz, porém, deu ordem para que Águeda fosse arrastada sobre vidros e brasas. Nesse momento, a cidade foi abalada por forte tremor de terra. Uma parede, bem próxima de Quinciano, desabou e sepultou dois dos seus amigos. O povo exigiu então a libertação da mártir:

“Eis o castigo que veio por causa do martírio da nobre donzela. Larga a tua inocente vítima, juiz perverso e sem coração!”

A morte

Águeda voltou ao cárcere e, em pé e de braços abertos, orou a Deus dizendo:

“Senhor, que desde a infância me protegestes, extinguistes em mim o amor ao mundo e me destes a graça de sofrer o martírio, ouvi as preces da vossa serva fiel e aceitai a minha alma”.

Santa Águeda acreditava que a morte seria um feliz final para as suas torturas. Um terremoto sacudiu naquele momento a prisão e ela veio enfim a falecer. Deus ouvira a voz de sua filha e a recebia em sua glória no ano 252.

O milagre do Etna

Passado um ano da morte da santa, a cidade siciliana de Catânia assistiu apavorada a uma erupção do monte Etna.

Em total aflição, o povo viu as ondas da lava ameaçarem a cidade e correu ao túmulo de Santa Águeda, tomando o véu que lhe cobria o rosto e estendendo-o contra a torrente de fogo. A cidade ficou a salvo do perigo da lava e este milagre começou a correr mundo. Até hoje, a mártir é venerada com imenso carinho pelo povo da Sicília.

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A partir de informações do blog Sanctorum